sábado, 15 de outubro de 2011

Respiraçao

 A INSPIRAÇAO E A EXPIRAÇAO
            A inspiração exige um esforço , é a afirmação de nosso desejo de viver .Essa vontade muda-se em entrega na expiração . A qualidade de entrega é mais difícil de adquirir do que a vontade de viver , que nos é instintiva . Somos educados e instigados a realizar o mais possível por nós mesmos , o que nos estimula no mundo do fazer , e daí decorre amiúde o esquecimento da noção de entrega .
            A expiração exige outro gênero de esforço . Um esforço de abertura , de expansão interior , de não fazer . Se a quantidade de expiração for boa , ela se fará sozinha e nos purificará não somente das nossas toxinas mas também dos nossos resíduos emocionais .
           A expiraçao nos induz a penetrar um espaço que nos perturba , o desconhecido. De fato , quando inspiramos , estamos no fazer , na segurança do conhecido . Na expiração , todavia , penetramos na insegurança do desconhecido , do vazio , e todo nosso inconsciente participa do sentimento de insegurança . É por isso que devemos ultrapassar essa barreira para encontrar o novo , que nunca se situa no conhecido . É no desconhecido , na expiração , que encontramos as respostas as nossas perguntas . É quando deixamos de preocupar-nos em alcançar uma meta precisa, quando nos colocamos em um estado de percepção e convidamos o desconhecido dentro de nós que a nossa respiração se modifica . Somos então respirados pelo exterior e unidos a vida .
          O ser completo conhece e utiliza as duas forças da ação (inspiração ) e da entrega (expiração ) . Pode responder as situações quando isso se revela necessário , sentir os próprios desejos e penetrar no próprio desconhecido quando lhe parece oportuno .
         Adquirir essa liberdade é, paradoxalmente , fornecer um esforço para poder , num dado  momento , fazer cessar esse esforço .
           E é na transcendência do esforço e do não esforço que se situa o espaço mais interessante , o ponto morto . Localiza-se no exato momento em que a inspiração cessa para mudar –se em expiração e em que a expiração se detem para mudar-se em inspiração . Representa o instante em que deixamos o jogo da vida e da morte e em que o mental para de funcionar . Toda a noção de esforço desaparece , a respiração se faz por si mesma . É nesse espaço (desconhecido ) que a consciência deixa o mundo do manifesto para visitar o mundo vertical ,  a dimensao do não manifesto . Aparecem primeiro imagens do mundo horizontal ( o mundo dos antagonismos complementares ) , que , em seguida , dão lugar as imagens do inconsciente . Por fim , a consciência livre pode viajar na memória universal , a memória do homem .